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Guerra do Contestado:
A vida no dia-a-dia do
caboclo navega impregnada de crendices, de superstições,
de sonhos interpretados e a interpretar. Ao mesmo tempo,
ele carrega medalhas, amuletos e orações escritas que o
defendem de todos os males e perigos, inclusive dos
tiros de arma-de-fogo.
Nas suas preces, o homem do Planalto
evita fórmulas padronizadas como o Pai Nosso ou a Ave
Maria. Prefere valer-se de outros dizeres, embora quase
sempre decorados, como esta
“Oração do Divino Espírito Santo”:
- “Meu Divino
Espírito Santo! Eu não tenho pai, nem mãe. Entre eu e
vós, não tenho ninguém por mim. Tenho Jesus Cristo por
meu pai e a Virgem Maria por minha mãe; as onze mil
virgens por minhas irmãs, os doze apóstolos por meus
irmãos e o Divino Espírito Santo por meu padrinho.”
Oração muito usada pelos seguidores de
um monge, colhida num amuleto que pendia do peito de um
caboclo:
- “Espada elética pertence a Antônio de
Sousa, nobre cavaleiro de São Sebastião em nome de Santo
João Maria quem atira no meu corpo atira na hóstia
consagrada porque entre a pórvra (pólvora) e a espuleta
Jesus Cristo fez morada.” |